Biblioteca de Cuidado ILS

Parte 2 · Saúde e medicação

Dar a medicação com segurança

Conteúdo em revisão profissional antes da publicação.

1A lista e a ordem: o sistema que evita erros

O problema

Muitos idosos tomam vários remédios por dia, em horários diferentes, alguns com comida e outros não. Sem um sistema, é fácil pular uma tomada, repetir outra ou confundir comprimidos parecidos.

O que acontece por dentro

Os erros de medicação quase sempre vêm da desordem, não da má intenção. Um sistema simples, uma lista atualizada e um organizador, faz com que a tomada correta seja a fácil, e deixa tudo pronto para uma emergência.

Passo a passo

  1. Monte uma lista atualizada de tudo o que ele toma: nome, para que serve, quem receitou, e também vitaminas, ervas e remédios de venda livre. Anote as alergias. Guarde-a impressa e no telefone.
  2. Leve essa lista (ou as caixas) a cada consulta e a qualquer ida à emergência. Atualize-a depois de cada visita ao médico.
  3. Use um porta-comprimidos semanal com compartimentos por dia e por momento (manhã, meio-dia, noite). Encha-o num lugar tranquilo e bem iluminado, sem pressa.
  4. O que não está no porta-comprimidos, guarde na caixa original: o rótulo tem o nome, a dose e a validade.
  5. Use sempre a mesma farmácia: assim detectam cruzamentos entre remédios e as renovações ficam mais fáceis. Peça a renovação uma semana antes de acabar.
  6. Guarde os remédios num lugar seguro, trancado se for preciso, longe de crianças, e revise as validades.

O que nunca se deve fazer

  • Nunca misture remédios soltos sem rótulo: se não sabe qual é, pergunte na farmácia.
  • Nunca encha o porta-comprimidos às pressas ou em frente à televisão: é aí que se infiltram os erros.
  • Nunca guarde os remédios ao alcance de crianças ou de uma pessoa confusa.

Quando pedir ajuda

Se a lista é longa ou muda com frequência, o farmacêutico pode ajudar a organizá-la e a ver se algum remédio se cruza com outro. Para quem se confunde com as tomadas, existem porta-comprimidos com alarme que avisam a hora.

2Dar a medicação sem erros

O problema

Dar um remédio parece simples, mas dá-lo na hora errada, partido quando não se deve, ou mudando a quantidade por conta própria, pode fazer mal. A regra é seguir à risca o que o médico indicou.

O que acontece por dentro

O seu papel é acompanhar a tomada, não decidir sobre ela. Quando você entrega o remédio certo, à pessoa certa, na quantidade que o médico indicou, na hora indicada e da forma indicada, o remédio faz o que deve fazer.

Passo a passo

  1. Antes de cada tomada, confirme cinco coisas: que seja a pessoa certa, o remédio certo, a quantidade que o médico indicou, a hora indicada e a forma indicada (pela boca, na pele, etc.).
  2. Pergunte ao farmacêutico se cada remédio vai com comida ou sem comida, e a que hora convém.
  3. Entregue o remédio e acompanhe, mas deixe que a pessoa o tome sozinha se puder. Fique perto e observe que ela o engula bem.
  4. Nunca parta, triture nem abra um comprimido sem perguntar antes ao farmacêutico: muitos têm um revestimento especial e parti-los pode ser perigoso ou deixá-los sem efeito.
  5. Se ela tem dificuldade para engolir, não improvise: pergunte ao farmacêutico se esse remédio vem em líquido, adesivo ou outra forma.

O que nunca se deve fazer

  • Nunca mude a quantidade, pule uma tomada nem suspenda um remédio por conta própria: isso quem decide é o médico.
  • Nunca triture um comprimido para passar melhor sem consultar antes.
  • Nunca dê um remédio de venda livre novo sem avisar o médico ou o farmacêutico: pode se cruzar com os que ela já toma.

Quando pedir ajuda

Diante de qualquer dúvida sobre como, quando ou com que dar um remédio, pergunte ao farmacêutico: é grátis e não precisa de agendamento. Se a pessoa recusa a medicação ou não consegue engoli-la, avise o médico em vez de forçar.

3Vigiar efeitos e quando ligar

O problema

Mesmo tomado bem, um remédio pode dar efeitos indesejados ou cruzar-se com outro. Quem cuida costuma ser o primeiro a notar uma mudança, e avisar a tempo evita problemas sérios.

O que acontece por dentro

Nos idosos, os cruzamentos entre remédios (ou entre remédio e álcool) podem dar sono, tontura ou mais risco de quedas. Notar e avisar essas mudanças é parte do cuidado.

Passo a passo

  1. Mantenha um caderno simples: anote qualquer mudança depois de começar ou mudar um remédio (sono, tontura, náuseas, erupção na pele, ânimo, confusão).
  2. Se aparecer algo estranho, avise o médico ou o farmacêutico que o receitou. Não espere a próxima consulta se você está preocupado.
  3. Evite o álcool com a medicação, a menos que o médico diga que está bem.
  4. Tenha à mão os telefones de emergência e do centro de intoxicações. Se suspeitar que tomou demais, ligue antes de fazer qualquer coisa.
  5. Vá às consultas com a pessoa, com a lista ou as caixas, e pergunte: para que serve cada remédio, até quando, o que fazer se pular uma tomada, e se há algum que já não seja preciso.

O que nunca se deve fazer

  • Nunca ignore um efeito novo pensando que já vai passar.
  • Nunca misture álcool com a medicação sem consultar.
  • Nunca espere se suspeitar que tomou demais: ligue ao centro de intoxicações ou à emergência.

Quando pedir ajuda

Se aparecer uma reação forte (inchaço no rosto, dificuldade para respirar, erupção que avança), chame a emergência. Para dúvidas sobre efeitos ou cruzamentos, o farmacêutico e o médico são o seu melhor apoio.

E a casa?

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