Parte 1 · Mover e cuidar do corpo
Caminhar e marcha
Conteúdo em revisão profissional antes da publicação.
1Antes de caminhar: de pé e firme
O problema
Muitas quedas acontecem nos primeiros segundos ao se levantar, antes do primeiro passo: a pessoa se levanta, fica tonta e começa a caminhar sem estar firme.
O que acontece por dentro
Ao se levantar, a pressão pode cair e vir uma tontura que dura alguns segundos. Caminhar exige que o corpo esteja equilibrado e o olhar para a frente. Se a pessoa está tonta, instável ou muito fraca naquele dia, não é hora de caminhar.
Passo a passo
- Que ela se levante bem primeiro (veja o capítulo de Transferências): na beira, o nariz sobre os pés, empurrando com as mãos a partir do assento, não do bastão nem do andador.
- Uma vez de pé, que espere alguns segundos para encontrar o equilíbrio antes de avançar.
- Que olhe para a frente, não para os pés, com as costas retas.
- Calçado fechado com sola antiderrapante, nunca descalça nem em chinelos.
- O caminho desobstruído: sem tapetes soltos, fios ou pisos molhados.
O que nunca se deve fazer
- Nunca a apresse a caminhar assim que se levanta, sem esperar o equilíbrio.
- Nunca a deixe caminhar tonta, muito fraca ou com o piso molhado.
- Nunca use o bastão ou o andador para puxá-la para cima ao se levantar.
Quando pedir ajuda
Se ela fica tonta com frequência ao se levantar, ou a cada dia caminha com mais insegurança, consulte o médico ou o fisio. Antes de começar a caminhar com alguém que esteve de cama ou após uma cirurgia, pergunte quanto peso pode sustentar e quanta ajuda precisa.
2O bastão
O problema
O bastão ajuda só se estiver na altura certa e na mão certa. Mal usado, desequilibra em vez de sustentar.
O que acontece por dentro
O bastão dá um ponto de apoio extra e alarga a base, mas sustenta pouco peso: serve para uma instabilidade leve, quando basta uma mão. Vai na mão do lado contrário à perna fraca, para distribuir o peso como no passo natural.
Passo a passo
- Altura: de pé e reta, o punho do bastão deve chegar à dobra do punho, com o cotovelo levemente dobrado.
- Segura-o com a mão do lado oposto à perna fraca ou machucada (se a perna fraca é a direita, o bastão vai na mão esquerda).
- Leva-o ao lado, não à frente do corpo, a poucos centímetros do pé.
- Para caminhar: avança o bastão e a perna fraca juntos, e depois a perna forte.
- Para levantar-se ou sentar-se não se apoia no bastão: usa o braço da cadeira com a outra mão.
O que nunca se deve fazer
- Nunca o leve na mão do mesmo lado que a perna fraca.
- Nunca o use para se empurrar a levantar ou a sentar: o equilíbrio não é confiável assim.
- Nunca o use se a ponteira de borracha da ponta estiver gasta ou solta.
Quando pedir ajuda
Se com o bastão continua inseguro, ou aparece dor nas costas, no ombro ou no punho, consulte o fisio: talvez precise de outra altura, de um bastão de quatro pontas ou de um andador.
3O andador
O problema
O andador dá mais estabilidade que o bastão, mas também mais formas de usá-lo mal: pisar muito para dentro, puxá-lo para se levantar, avançá-lo longe demais.
O que acontece por dentro
O andador é usado quando são precisas as duas mãos para caminhar com segurança. Dá uma base ampla, mas só sustenta se as quatro pernas ou rodas estiverem apoiadas ao dar o passo e a pessoa ficar dentro do andador, não pendurada para a frente.
Passo a passo
- Altura: igual ao bastão, os punhos na altura da dobra do punho, o cotovelo levemente dobrado.
- Para se levantar: o andador à frente, com a abertura voltada para a pessoa e as quatro pernas no chão. Que ela se incline para a frente e empurre com os braços a partir do assento, sem puxar o andador.
- As quatro pernas ou rodas têm que tocar o chão antes de dar o passo (no andador simples, apoia-se e só então se caminha).
- A pessoa caminha dentro do andador, sem pisar muito para dentro nem avançá-lo longe demais.
- Olha para a frente, não para os pés, e vai devagar.
O que nunca se deve fazer
- Nunca puxe o andador nem se apoie nele para se levantar: pode tombar.
- Nunca o avance tanto que a pessoa fique pendurada para a frente.
- Nunca o use em escadas (veja o capítulo de Escadas).
Quando pedir ajuda
Para escolher o andador (simples, com rodas, com assento) e ajustar a altura, consulte o fisio ou quem entregou o equipamento. Se a pessoa se pendura no andador ou o arrasta, convém revisar a técnica com um profissional.
4Caminhar com o andador, passo a passo
O problema
Caminhar com o andador tem uma ordem. Fazer ao contrário, avançando a perna forte primeiro ou pisando fora da base, desequilibra.
O que acontece por dentro
O andador vai primeiro, depois a perna fraca, depois a forte. Assim o corpo sempre tem a base de apoio à frente antes de carregar o peso. A perna fraca entra primeiro porque o andador a protege.
Passo a passo
- Avança o andador uma distância curta, com as quatro pernas ou rodas no chão.
- Dá o passo primeiro com a perna fraca, para o centro do andador, não além da barra da frente.
- Depois dá o passo com a perna forte, levando-a até onde está a fraca ou um pouco à frente.
- Repete: andador, perna fraca, perna forte.
- Para virar, dá passinhos curtos ao redor, sem cruzar os pés nem torcer o corpo de repente.
O que nunca se deve fazer
- Nunca avance a perna forte primeiro.
- Nunca pise além da barra da frente do andador.
- Nunca vire de repente pivotando sobre os pés: dê passinhos.
Quando pedir ajuda
Se ela se cansa logo, fica sem ar ou as pernas dobram ao caminhar, pare e consulte. O fisio pode indicar distâncias e descansos seguros.
5Acompanhar alguém que caminha
O problema
Acompanhar mal, agarrando pelo braço ou caminhando à frente puxando, tira a estabilidade da pessoa em vez de dar segurança.
O que acontece por dentro
A pessoa caminha mais segura se for ela a marcar o ritmo e você a acompanhar por trás e do lado mais fraco, pronto para estabilizá-la sem puxar. O cinto de transferência dá um ponto firme se for preciso sustentar.
Passo a passo
- Se a pessoa é instável, coloque-lhe o cinto de transferência antes de começar.
- Caminhe meio passo atrás e do lado mais fraco, com uma mão perto do cinto ou da cintura.
- Deixe que ela marque o ritmo e a distância. Não a apresse.
- Mantenha o caminho desobstruído e avise-a dos desníveis, dos degraus e dos pisos molhados.
- Se ela se cansa, procure um lugar seguro para que descanse sentada.
O que nunca se deve fazer
- Nunca a leve puxando pelo braço nem caminhando à frente dela.
- Nunca a deixe caminhar sozinha por um piso molhado ou com obstáculos.
- Nunca solte o cinto num trecho difícil, como uma rampa ou um degrau.
Quando pedir ajuda
Se para caminhar ela precisa que você a sustente com as duas mãos, já não basta acompanhá-la: pergunte ao fisio se cabe um andador ou mais ajuda.
6Se perde o equilíbrio ou começa a cair
O problema
O reflexo de segurar a pessoa à força para que não caia é o que mais lesiona os dois. Não se trata de evitar a queda a qualquer custo, mas de torná-la controlada.
O que acontece por dentro
Ninguém consegue frear de repente o peso de um corpo que vai cair. Se você tentar segurá-lo, machuca as costas e a pessoa cai do mesmo jeito, mas pior. O seguro é acompanhar a descida devagar e proteger a cabeça.
Passo a passo
- Se você a segura com o cinto e ela começa a ir, não a levante: aproxime-a do seu corpo e deixe que desça devagar, deslizando contra a sua perna até o chão.
- Guie-a para o chão livre, longe de móveis, mesas ou da beira da cadeira.
- Proteja a cabeça dela: é o primeiro. Que não se bata em nada duro.
- Uma vez no chão, não a apresse a se levantar. Fique com ela e veja se ela se machucou.
- Para voltar a levantá-la, siga o capítulo Depois de uma queda: se bateu a cabeça, não consegue se mover ou tem muita dor, não a mova e chame a emergência.
O que nunca se deve fazer
- Nunca tente frear todo o peso dela à força para que não caia.
- Nunca a deixe cair em direção a um móvel ou à beira da cadeira.
- Nunca a levante de repente do chão sem antes ver se ela se machucou.
Quando pedir ajuda
Se bateu a cabeça, não consegue se mover, tem uma dor forte ou você não consegue levantá-la com segurança, chame a emergência ou peça ajuda. Nunca a levante sozinha do chão na força.
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