Biblioteca de Cuidado ILS

Parte 7 · O cuidador

Do hospital para casa

Conteúdo em revisão profissional antes da publicação.

1A alta chega de repente: o que pedir antes de sair

O problema

A alta costuma chegar de um dia para o outro: entregam a você uma pilha de papéis e instruções rápidas enquanto coloca a pessoa no carro. Passar da vigilância do hospital para casa, assim de repente, é um dos momentos mais delicados de toda a recuperação.

O que acontece por dentro

O que se entende e se organiza antes de sair marca a diferença entre uma boa recuperação e uma volta ao hospital. Não é hora de se apressar nem de ficar com dúvidas.

Passo a passo

  1. Peça por escrito o resumo da alta: o que aconteceu, o que mudou e o que é preciso continuar fazendo.
  2. Peça a lista completa e atualizada da medicação, com doses, horários e o que mudou em relação a antes. Os erros com os remédios são a causa mais comum de voltar ao hospital.
  3. Pergunte pelos sinais de alarme, mas concretos: quais chamam a urgência já e quais só é preciso vigiar. Peça que esclareçam.
  4. Consiga um telefone direto da equipe que a atendeu, não a central do hospital.
  5. Antes de sair, deixe agendado o retorno de acompanhamento (idealmente na primeira semana) e pergunte se indicaram enfermagem, fisioterapia ou terapia ocupacional a domicílio. Se você vai fazer algum curativo ou tarefa, peça que mostrem e pratique ali.

O que nunca se deve fazer

  • Nunca saia com dúvidas para não fazer perder tempo: perguntar é parte do cuidado.
  • Nunca fique só com instruções faladas: que fique tudo por escrito.
  • Nunca deixe o retorno de acompanhamento para ligar depois: agende antes de sair.

Quando pedir ajuda

A equipe de alta (médico, enfermagem, assistente social do hospital) está para isso. Se algo não ficou claro, peça antes de ir, não em casa às oito da noite.

2Preparar a casa e a ajuda antes de chegar

O problema

Muitas famílias organizam tudo depois que a pessoa já chegou, e aí aparecem os problemas: não entra no banheiro, não consegue subir a escada, falta a cama ou a cadeira. Preparar antes evita o caos.

O que acontece por dentro

A pessoa volta diferente de como saiu: mais fraca, talvez com menos mobilidade. A casa tem que estar pronta para recebê-la assim, não como estava antes.

Passo a passo

  1. Decida onde vai dormir: se o quarto fica em cima e não consegue com a escada, organize um lugar no piso térreo antes do dia da alta (veja o capítulo de escadas).
  2. Despeje os caminhos e torne o banheiro seguro: tire o que faça tropeçar, revise a luz e os apoios (veja os capítulos de quedas e de banho).
  3. Consiga com tempo o equipamento que faça falta: cama, cadeira de rodas, andador, banco de chuveiro, cadeira com vaso sanitário. Demora a chegar, então comece já.
  4. Organize ajuda para os primeiros dias: alguém que acompanhe ou um serviço, para não ficar sozinho com tudo de uma vez (veja os capítulos de irmãos e do cuidador).
  5. Tenha a medicação comprada e comida em casa antes de chegar.

O que nunca se deve fazer

  • Nunca espere a pessoa chegar para só então ver onde a deita.
  • Nunca deixe a escada como único caminho se não consegue subi-la.
  • Nunca encomende o equipamento no mesmo dia: não chega a tempo.

Quando pedir ajuda

Se você não sabe qual equipamento faz falta nem como consegui-lo, o assistente social do hospital ou a equipe de alta orientam. Peça antes de sair.

3Os primeiros dias em casa

O problema

Os primeiros dias em casa são os de maior risco. O alívio de estar de volta se mistura com o medo de não saber o que é normal e o que é para se preocupar.

O que acontece por dentro

A recuperação continua em casa. Seguir bem a medicação, ir ao retorno e agir a tempo diante de um sinal de alarme é o que evita uma recaída.

Passo a passo

  1. Dê a medicação exatamente conforme a lista nova, não como se dava antes. Cuidado em repetir o mesmo remédio com dois nomes diferentes (veja o capítulo de medicação).
  2. Tenha à vista os papéis da alta e a lista de sinais de alarme, por exemplo na porta da geladeira.
  3. Não falte ao retorno de acompanhamento: ir nos primeiros dias baixa muito o risco de voltar ao hospital.
  4. Se algo se sente mal (febre, dor que não cede, uma ferida mais vermelha, mudanças em como respira ou em como está da cabeça), ligue cedo. Se o seu instinto diz que algo está errado, quase sempre tem razão.
  5. Cuide-se também: reveze com outros, descanse, e aceite que sentir-se sobrecarregado no começo é normal (veja os capítulos do cuidador e da culpa).

O que nunca se deve fazer

  • Nunca misture a medicação velha com a nova sem confirmar.
  • Nunca espere para ver se passa diante de um sinal de alarme claro: ligue.
  • Nunca carregue os primeiros dias na solidão se pode somar mãos: é melhor ter ajuda a mais e soltá-la depois do que ficar curto.

Quando pedir ajuda

Diante de um sinal de alarme, use o telefone direto da equipe ou os serviços de emergência da sua zona. Para o resto, o médico de acompanhamento e o assistente social acompanham você nesta etapa.

E a casa?

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